validação de softwares

Validação de Softwares, o guia definitivo, Parte II: Qualificação de Instalação, Operação e Desempenho

Voltando ao nosso tópico de Validação, nós vimos no artigo anterior como levantar determinar quais sistemas devem ser validados, as funções que você precisa que o software desempenhe (Passo II), e a forma como o software deveria desempenhar  essas funções (e você precisa validar para ver se ele desempenha adequadamente, no Passo III).

Documentada essa etapa introdutória da validação do software, seguimos em frente para as etapas de Qualificação, que são comuns a qualquer processo de validação.

Introdução: Documentação da Qualificação

A qualificação deve ser registrada, sendo que eu sugiro que esse registro seja composto minimamente pelas seguintes partes:

– Protocolo de Qualificação: Descrição do que se trata a etapa de qualificação, quais os objetivos dessa etapa, escopo, quais os documentos usados como referência para os testes, os critérios de aceitação e reprovação (e como foram determinados), restrições, etc.;

– Lista de Verificação com os testes a serem executados: para comprovar que os critérios de aceitação foram verificados, convém criar uma lista com o registro da data e responsável pela verificação, evidências, data e responsável pela aprovação, etc.;

– Relatório de não conformidades e desvios: Caso ocorram, deve-se documentar as não conformidades e desvios na Qualificação;

– Relatório de Qualificação: E, finalmente, caso a etapa de qualificação tenha sido bem sucedida, procede-se com esse registro, que deve ser aprovado pela função designada para esse fim.

Agora sim, vamos para as etapas de Qualificação propriamente ditas:

Qualificação de Instalação (QI)

É a etapa que, em geral, verifica se os equipamentos estão adequadamente  instalados no seu local definitivo, conforme as especificações do fabricante. No caso de um software, é a verificação se a especificação dos computadores, dos servidores de instalação, da rede atendem aos mínimos requisitos do desenvolvedor para sua operação. Por exemplo, se o software exige no mínimo uma máquina com processador Dual Core, com 2GB de RAM, 100GB de memória livre, e uma rede de 1Mb de velocidade para funcionar, então todos esses itens devem ser checados computador a computador. Ou seja: identifique cada máquina, e coloque todos esses requisitos na Lista de Verificação. Vá em cada máquina e verifique cada item, incluindo a sua estrutura de rede. A Lista de Verificação fica parecida com isso:

Qualificação de Operação (QO)

A etapa de Qualificação de Operação serve para verificar as condições operacionais de um equipamento. No caso do software, a lógica seria verificar se todos os seus algoritmos, vinculação entre os bancos de dados, a programação está íntegra e funciona corretamente. Mas ora, em geral os códigos-fonte dos softwares não estão disponíveis para esse tipo de análise, ainda mais por leigos. Dessa forma, verifica-se a Qualificação da Operação de forma indireta, pelo Desempenho, mesmo. Pressupõe-se operação correta do sistema pela consistência dos dados de desempenho obtidas na etapa seguinte de qualificação.

Qualificação de Desempenho (QD)

Verificação documentada que o sistema apresenta desempenho consistente e reprodutível, de acordo com os requisitos de aprovação definidos anteriormente. Essa é a etapa de colocar o software para jogo e testar se ele realmente executa os seus User Requirements adequadamente. Para isso, defina uma amostragem para os testes (quantas vezes você vai repetir cada teste), a forma como você vai testar, e os critérios de aprovação para cada teste. Agora sim, execute os testes. Por exemplo, se o seu sistema deveria bloquear a emissão de Ordens de Compra contra fornecedores desqualificados, crie um fornecedor desqualificado e um qualificado para teste na sua base de testes, e tente emitir uma Ordem de Compra contra esses dois fornecedores, várias vezes. Se ele bloqueou o fornecedor desqualificado e liberou o fornecedor qualificado em todos os testes, então marque isso na sua Lista de Verificação, porque está ok!

Você executou todas as etapas de qualificação, deu tudo certo, e você registrou isso? Ótimo! Agora, defina qual a periodicidade máxima da revalidação do seu software, e quais os outros critérios possíveis para revalidação (por exemplo, no caso de mudança crítica no software pelo desenvolvedor, você é obrigado a revalidar). Registre o Relatório de Validação e ótimo! Você tem o seu software validado, e preparado para te auxiliar nas funções da Qualidade com confiabilidade e eficiência!

Texto: Thais Graef

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